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Desperdício de água e ausência de esgoto no AM escancaram omissão federal em saneamento, aponta cobrança de Amom Mandel

Resposta obtida por meio de requerimento de informação aponta que a perda total de água tratada chegam a 47,49%, quase o dobro do limite considerado aceitável pelo próprio governo federal

Brasília/DF – No coração da maior bacia hidrográfica do planeta, 47,49% da água tratada é desperdiçada e 65,12% não gera faturamento, enquanto menos de um terço da população tem acesso à coleta de esgoto. Os números, apresentados pelo governo federal em resposta a questionamento do deputado Amom Mandel (Cidadania-AM), estão muito acima do limite de 25% de perdas estabelecido como meta nacional até 2034 e ajudam a explicar por que o saneamento segue como um dos principais vetores de adoecimento no Amazonas.

A resposta ao Requerimento de Informação nº 6631/2025 expõe uma combinação explosiva de negligência estrutural e inação federal: uma das maiores taxas de desperdício de água do Brasil convivendo com uma cobertura de coleta de esgoto inferior a 30% da população, um cenário incompatível com qualquer política séria de saúde pública.

No documento, o parlamentar cobra explicações formais do governo federal sobre perdas massivas de água tratada, que se dissipam antes de chegar às casas, enquanto a maioria dos domicílios segue lançando esgoto in natura em igarapés, solos urbanos e cursos d’água. O resultado é um ciclo permanente de contaminação ambiental, adoecimento coletivo e pressão contínua sobre o sistema de saúde.

A cobrança de Amom é direta e estratégica: não há como falar em prevenção de doenças, redução de internações ou melhoria dos indicadores de saúde sem enfrentar o colapso do saneamento básico. Onde não há esgoto, proliferam doenças de veiculação hídrica, agravam-se surtos infecciosos e naturaliza-se uma condição sanitária que não seria tolerada em nenhuma outra região do país.

O RIC evidencia também a ausência de liderança do governo federal no tema. Mesmo diante de indicadores críticos, o governo não apresenta metas claras para redução de perdas de água, nem um plano nacional específico para ampliar a coleta e o tratamento de esgoto no Amazonas. O problema é conhecido, os dados existem, mas a resposta federal permanece fragmentada, burocrática e insuficiente.

O desperdício de água, um dos mais elevados do Brasil, revela ainda outro nível da omissão: recursos públicos são tratados, bombeados e perdidos, enquanto milhões de pessoas seguem expostas a esgoto a céu aberto. É uma falha dupla do Estado: no planejamento e na proteção da saúde coletiva.

Os dados oficiais revelados na resposta ao Requerimento de Informação nº 6631/2025 escancaram a gravidade do cenário: as perdas totais de água na distribuição no Amazonas chegam a 47,49%, quase o dobro do limite considerado aceitável pelo próprio governo federal. Para efeito de comparação, a Portaria nº 490/2021 do Ministério do Desenvolvimento Regional estabelece como meta máxima 25% de perdas até 2034. O índice de 48% significa que, a cada 10 litros de água tratada, quase 5 litros são perdidos por vazamentos, furtos/gatos ou erros de medição.

Além do desperdício físico, o impacto financeiro é ainda mais severo: 65,12% da água produzida não gera faturamento, comprometendo a sustentabilidade do sistema, drenando recursos públicos e reduzindo a capacidade de investimento em expansão da rede e coleta de esgoto. Em outras palavras, o Amazonas já opera hoje em um patamar de perdas muito acima do que o governo admite como tolerável apenas para daqui a uma década, evidenciando falha estrutural, ausência de controle efetivo e omissão histórica no enfrentamento do problema.

“Quando quase metade da água tratada se perde e mais de 65% não vira faturamento, não estamos falando de falha técnica: estamos falando de omissão do poder público, porque o próprio governo admite que o aceitável seria no máximo 25%. Saneamento não é luxo nem obra invisível. É política de saúde preventiva. Quando o governo tolera desperdício de água e convive com menos de 30% de cobertura de esgoto, ele aceita que a doença faça parte da paisagem”, afirma Amom Mandel.

Ao protocolar o Requerimento de Informação, o deputado obriga o Executivo a se posicionar oficialmente sobre um problema estrutural que historicamente foi empurrado para os entes locais, sem coordenação nacional, sem prioridade orçamentária e sem responsabilização clara.

A fiscalização parlamentar escancara um paradoxo inaceitável: no território da maior bacia hidrográfica do planeta, a população adoece não por falta de água, mas por abandono do saneamento. E enquanto o governo federal não assume o tema como eixo central de saúde pública, o custo segue sendo pago em internações evitáveis, doenças recorrentes e desigualdade sanitária crônica.

Fonte: Assessoria de Imprensa

Foto: Jessé Gomes

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