Manaus ocupava o 3º lugar entre as cidades brasileiras com pior qualidade do ar às 17h desta quinta-feira, 20, segundo monitoramento em tempo real da plataforma IQAir. A capital amazonense registrava AQI 58, índice considerado moderado, ficando atrás de Porto Velho (RO), com AQI 70, e São Paulo (SP), com AQI 60, no ranking nacional apresentado pela plataforma.
O monitoramento também apontava concentração de PM2.5 de 11,7 µg/m³ em Manaus, valor 2,3 vezes superior ao limite anual indicado pelas diretrizes de qualidade do ar da Organização Mundial da Saúde (OMS). O relatório recomendava que pessoas pertencentes a grupos sensíveis reduzissem exercícios ao ar livre, utilizassem máscaras nas ruas e recorressem a purificadores de ar.
O PM2.5, ou material particulado fino, é formado por partículas com diâmetro igual ou inferior a 2,5 micrômetros. Por serem muito pequenas, essas partículas podem penetrar profundamente no sistema respiratório e alcançar a corrente sanguínea, segundo a explicação técnica apresentada no relatório analisado.
O AQI, sigla em inglês para Índice de Qualidade do Ar, transforma diferentes concentrações de poluentes em uma escala numérica de 0 a 500. No padrão utilizado pelo relatório, valores entre 51 e 100 são classificados como “moderados”, faixa em que Manaus se encontrava no momento do registro.
Calor elevado acompanha condição do ar
Além da qualidade do ar, o relatório da IQAir apresentava uma previsão de 37°C para Manaus nesta quinta-feira, 20, com elevação para 38°C na sexta-feira, 21, e máxima de 36°C no sábado, 22. A umidade relativa do ar estava prevista para variar entre 34% e 46% durante o período analisado.
As temperaturas mínimas projetadas permaneciam entre 25°C e 27°C, inclusive durante a madrugada. O relatório relaciona esse comportamento à chamada inércia térmica noturna, fenômeno em que superfícies urbanas como asfalto e concreto retêm parte do calor recebido durante o dia e o liberam gradualmente depois.
No início da madrugada, a previsão indicada no documento apontava AQI de até 60. O cenário descrito reunia, portanto, temperaturas elevadas durante o dia, pouca redução do calor durante a noite e presença de material particulado fino no ar.
A própria classificação da IQAir, entretanto, mantinha o índice de Manaus na categoria moderada, apesar da concentração de PM2.5 estar acima da diretriz anual indicada pela OMS. O relatório tratava os dados como um retrato das condições atmosféricas observadas e previstas naquele momento.
Diferença entre os pontos de monitoramento
Os dados das estações colaborativas também mostravam diferenças entre áreas de Manaus. O Parque Dez de Novembro apresentava o maior índice entre os pontos locais monitorados, com AQI 60, enquanto estações da Fundação Amazonas Sustentável (FAS) e da Avenida Rodrigo Otávio registravam índices entre 54 e 55.
O relatório relaciona essa variação espacial às características diferentes dos ambientes urbanos. A análise menciona o estudo de microclima realizado no Coroado pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), apresentado anteriormente, que identificou diferenças de temperatura associadas à impermeabilização do solo e à arborização.
De acordo com a metodologia descrita no documento, foram cruzados dados de quatro estações colaborativas de monitoramento em Manaus, indicadores de qualidade do ar, variáveis relacionadas à temperatura da superfície e tendências históricas utilizadas em análises anteriores.
O documento também registra que a metodologia empregada considerou a atribuição dos dados conforme o protocolo da plataforma IQAir. Os resultados apresentados correspondem ao monitoramento realizado às 17h de 20 de agosto de 2026, juntamente com as projeções horárias e diárias disponibilizadas naquele momento.
Com informações da Agência Cenarium


