Manaus (AM) — A música amazônica ganha uma nova perspectiva no palco do Teatro Amazonas nesta segunda-feira (21). A Orquestra Sinfônica da Amazônia (OSA) estreia a Série Amazônia, projeto que propõe aproximar a música de concerto das paisagens, manifestações culturais e diferentes sonoridades da região. A apresentação acontece às 20h, com entrada gratuita.
A programação marca uma nova etapa da temporada 2026 da OSA e terá como destaque duas obras que serão apresentadas pela primeira vez ao público mundialmente: a Suite Danças Amazônicas, de Lipe Portinho, e o poema sinfônico Panapaná, de André Mehmari. As duas composições foram encomendadas especialmente para a orquestra.
O programa também inclui a Suíte nº 1 de Peer Gynt, de Edvard Grieg, compositor norueguês cuja obra foi originalmente concebida como música incidental para a peça teatral Peer Gynt, escrita por Henrik Ibsen.
Ritmos amazônicos ganham linguagem sinfônica
Entre as novidades da noite está a Suite Danças Amazônicas, composição de Lipe Portinho que utiliza referências de manifestações e ritmos tradicionais do Norte do Brasil em uma formação sinfônica.
De acordo com informações divulgadas pela OSA, a obra percorre diferentes expressões culturais da região, passando por referências como o baque acreano, o carimbó e o boi, levando essas sonoridades para o universo da música de concerto.
Outra estreia da noite será Panapaná, de André Mehmari. O poema sinfônico foi inspirado no fenômeno natural da migração de borboletas na floresta amazônica e foi escrito especialmente para a Orquestra Sinfônica da Amazônia.
A proposta é transformar em música imagens associadas à natureza e aos movimentos da floresta, ampliando a presença de referências amazônicas no repertório sinfônico.
Para o maestro Rubens Cláudio, idealizador e fundador da OSA, a nova série parte da compreensão de que a Amazônia possui uma diversidade que pode ser explorada também pela música.
A criação da Série Amazônia acompanha uma trajetória que a orquestra vem desenvolvendo ao longo de 2026. Em junho, a OSA iniciou a temporada com um concerto no Teatro ICBEU que reuniu obras de Dimitri Cervo, Camille Saint-Saëns e Robert Schumann. Em julho, a programação passou pela obra de Johann Sebastian Bach e Carl Philipp Emanuel Bach, com participação do flautista Arley Raiol.
Projeto busca aproximar tradição e identidade amazônica
A Série Amazônia foi concebida para unir referências da música sinfônica tradicional a elementos ligados à identidade cultural da região. A proposta também reforça a produção de obras contemporâneas relacionadas à Amazônia e amplia o repertório criado especificamente para a orquestra.
O diretor executivo da OSA e curador da Série Amazônia, Nicolay Sapoundjiev, participa da apresentação do projeto ao lado de Rubens Cláudio. Segundo informações divulgadas anteriormente pela instituição, a orquestra busca conciliar a tradição da música erudita com a identidade musical amazônica.
A temporada 2026 da OSA conta com patrocínio da Manaus Airport, Bemol e Samel, além do apoio cultural do Sistema Encontro das Águas, Fundação Rede Amazônica, CAUA, Museu da Amazônia (MUSA) e Hotel dos Frades. A realização é da própria OSA em parceria com a Associação Amazônia de Produção, Organização e Incentivos Artísticos (Apoiar AM).
Da redação, André Leocádio.


