Segundo a polícia, desde 2018 o esquema criminoso movimentou R$ 70 milhões, utilizando empresas de fachada para comprar drogas na Colômbia e distribuí-las
A Polícia Civil do Amazonas deflagrou, nesta sexta-feira (20), a operação Erga Omnes, coordenada pelo 24º Distrito Integrado de Polícia, para apurar a infiltração do crime organizado em diferentes esferas do poder público. A investigação identificou a movimentação de mais de R$ 70 milhões ao longo de quatro anos, com indícios de envolvimento de servidores públicos e empresas de fachada.
A operação contou com apoio integrado das forças de segurança dos estados do Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, São Paulo e Piauí. Segundo o delegado Marcelo Martins, relatórios do Coaf apontaram transações financeiras de alto valor envolvendo agentes públicos suspeitos de colaborar com a organização criminosa — seja oferecendo suporte institucional, facilitando acesso à administração pública ou fornecendo informações sigilosas.
Foram expedidos 24 mandados de prisão, dos quais 13 já foram cumpridos, além de 24 mandados de busca e apreensão. Também houve determinação judicial para o sequestro de veículos e bloqueio de valores atribuídos aos investigados e a empresas fantasmas ligadas ao tráfico de drogas. Ao menos 11 pessoas seguem foragidas — sete no Amazonas e as demais nos estados do Pará, Piauí, Ceará, Maranhão e São Paulo. O apontado como líder do grupo, Alan Kleber, não foi preso e teria fugido na madrugada em São Paulo; a esposa dele foi presa pela polícia paulista.
As investigações indicam que o grupo adquiria drogas em Tabatinga para distribuição em outros estados, utilizando empresas fictícias do setor de logística para camuflar o transporte. Essas empresas não apresentavam movimentação compatível com a atividade declarada, mas mantinham negociações financeiras com servidores públicos. Há indícios de lavagem de dinheiro e de intercâmbio financeiro com agentes em cargos estratégicos, incluindo ex-assessores parlamentares, policiais militares e civis, advogados, servidores municipais e integrantes do Poder Judiciário.
Entre os investigados estão um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas, uma ex-secretária de gabinete da Assembleia Legislativa do Amazonas e uma investigadora da própria Polícia Civil que também integrava comissão de licitação da Prefeitura de Manaus.
Veja a lista dos investigados:
Izaldir Moreno Barros – servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas;
Adriana Almeida Lima – ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa do Amazonas;
Anabela Cardoso Freitas – investigadora da Polícia Civil e integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus. Foi chefe de gabinete do prefeito da capital até 2023;
Alcir Queiroga Teixeira Júnior – citado na investigação como ligado a movimentações financeiras suspeitas;
Josafá de Figueiredo Silva – ex-assessor parlamentar;
Osimar Vieira Nascimento – policial militar;
Bruno Renato Gatinho Araújo – investigado por participação no esquema.
Ronilson Xisto Jordão – preso em Itacoatiara
De acordo com a corporação, o grupo utilizava agentes públicos para garantir trânsito facilitado em órgãos e acesso a informações sensíveis. Em interceptações, o líder afirmava não temer prisão por supostamente “pagar todo mundo de todas as esferas”. A investigação também aponta que ele se apresentava como integrante de empresa ligada a igreja evangélica e teria utilizado um templo religioso para ocultar drogas, como forma de disfarçar as atividades ilícitas.
A Polícia Civil destacou que, até o momento, não há políticos com foro privilegiado entre os alvos e que será apurado se parlamentares tinham conhecimento da atuação dos assessores investigados. As investigações seguem em andamento para aprofundar responsabilidades e desarticular o esquema, considerado pela corporação uma grave ameaça à integridade das instituições públicas.
Com informações da PC-AM
Foto: Divulgação PC-AM


